Colaboradores

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Nossa Mostra Virtual de Teatro de Bonecos vai começar!

  A Cia Boca de Cena realizará neste mês de setembro a Mostra Virtual de Teatro de Bonecos que garantirá à população em geral o direito a acessar gratuitamente variados espetáculos que irão revelar a diversidade da linguagem da animação com bonecos trabalhada pela Companhia em mais de vinte anos de atuação.

   A duração total da Mostra será de três dias e contará com programação diversa de seis espetáculos, um bate-papo ao vivo com grupo convidado e ainda o lançamento de publicação inédita com direito a uma surpresa para o público que nos assiste e acompanha.

Arte oficial de divulgação do evento virtual

 Todas atividades ocorrerão no formato virtual através do canal oficial da Cia Boca de Cena Teatro de Bonecos no YouTube, portanto, garante logo tua participação se inscrevendo no canal e ativando o sininho para acompanhar tudo de camarote e no conforto do seu lar.

  A partir da sexta-feira (24) às 19:00 horas a abertura do evento será por conta do boneco Chico com Thaisy Santos (apresentadores oficiais da Mostra), seguidos pela exibição do espetáculo O Gênio da Garrafa do repertório da Cia Boca de Cena.

Apresentadores oficiais da Mostra

 No sábado (25), a programação inicia ao final da tarde, quando às 17:00 horas exibiremos o espetáculo DOAR. As atividades serão retomadas à noite com a contação de histórias O Velho e o Pássaro Cantor, a partir das 19:00 horas, seguida pelo lançamento oficial do Catálogo do Babau da Paraíba - publicação pioneira contendo fotos, biografias dos fazedores do babau e informações sobre a salvaguarda da arte bonequeira.

   Por fim, no domingo (26), a partir das 19:00 horas teremos uma noite dedicada ao teatro lambe lambe, iniciando com a estreia da apresentação da caixa 'Dona Mariô' de Amanda Viana (Cia Boca de Cena), seguida das caixas 'Você Pode Amar?' da Tammy Caroline e 'Guaraci' de Fabrício Neri, ambos integrantes do grupo Depois do Ensaio do Rio de Janeiro.

  Após as apresentações dos espetáculos nas caixas, o evento encerrará em grande estilo com um bate-papo ao vivo pra lá de especial sobre os processos de criação no teatro lambe lambe com a Cia Boca de Cena e o grupo Depois do Ensaio.

  Você não vai perder essa oportunidade não é mesmo? Então não arrisca, passa logo no canal oficial da Cia Boca de Cena no YouTube, se inscreve e ativa os lembretes ou sininho pra não perder nada dessa programação que está incrível.

  Segue também nosso perfil no Instagram @ciabocadecena onde serão publicados vários materiais detalhados a respeito dos espetáculos, convidados e programação, como também vídeos de divulgação com participação do boneco Chico e toda equipe Boca de Cena envolvida.

  É a primavera chegando e a gente exalando teatro de bonecos pra quem quiser ver, ouvir e sentir...

Equipe durante gravações para a Mostra Virtual

  A Mostra Virtual de Teatro de Bonecos é um projeto realizado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. Lei Federal nº 14.017, de 29 de junho de 2020. Com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e do Governo do Estado da Paraíba EDITAL Nº 11∕2020 - EDITAL CHIQUINHA MOURÃO.

         #LeiAldirBlanc          #LeiAldirBlancPB         #SomosTodosParaíba

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Websérie "Construtores do Babau" vem coroar as ações em prol da Salvaguarda do Babau da Paraíba

   Com esforço e, mesmo em período pandêmico, muita satisfação, comunicamos a finalização do conjunto de ações propostas para a primeira etapa da Salvaguarda do Babau da Paraíba - uma iniciativa da Superintendência do Iphan na Paraíba com produção executiva da Cia Boca de Cena.
   Para encerrar as atividades propostas, as ações de formação tiveram de ser adaptadas ao cenário remoto, fazendo com que a equipe da Cia Boca de Cena saísse a campo, sob todos os cuidados e protocolos, para registrar as oficinas e apresentação de babau junto a mestres e brincantes de nosso Estado (Vaval de João Pessoa, Clóvis de Guarabira, Seu Reis e Sebastião de Sapé, Geraldo de Solânea e José Neto de Caldas Brandão).

Bastidores de gravações com Mestre Clóvis no sítio em Guarabira


   Trabalho árduo de captação de imagens, elaboração de roteiros e edição que, ao final, resultaram em cinco vídeos de oficinas de construção de bonecos e uma brincadeira de babau que estarão disponíveis gratuitamente para o público a partir de agora.



   A websérie intitulada 'Construtores do Babau' está no ar e manterá seis episódios no Canau Babau da Paraíba exibidos no YouTube oficial do IPHAN.
  Oportunidade singular de acompanhar registros de um trabalho inédito e peculiar sobre a história do Babau da Paraíba, seus diferentes modos de fazer e singularidades que só encontramos no teatro de bonecos popular local.
   Desfrutem deste momento único e façam bom proveito de todo o material. Ainda este mês, disponibilizaremos os vídeos das oficinas e apresentação do Mestre Clóvis em nosso canal oficial no Youtube da Cia Boca de Cena Teatro de Bonecos!

Mais informações para a imprensa

Assessoria de Comunicação Iphan
comunicacao@iphan.gov.br

Letícia Maciel - leticia.vale@iphan.gov.br
(61) 2024-5512

www.iphan.gov.br  |  www.facebook.com/IphanGovBr
www.twitter.com/IphanGovBr  |  www.youtube.com/IphanGovBr






quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Cia Boca de Cena se apresenta no 7º Encontro de Mamulengo em São Paulo

Com muita alegria e devidos cuidados, estamos de volta aos palcos!

Após longo período de isolamento e atividades virtuais; agora vacinados, mais seguros  e cuidadosos, não pudemos resistir ao convite deste evento tão consagrado no sudeste do nosso país. O Encontro de Mamulengo em São Paulo chega à sua sétima edição com programação repleta de boas atrações, dentre elas, a Cia Boca de Cena.

Programação Completa
Programação Completa

A partir da tarde desta sexta-feira (10/09), o Teatro Flávio Império receberá três espetáculos diários em diferentes horários e seguindo todos os protocolos de segurança. O melhor de tudo é que  público poderá ter acesso à programação de forma gratuita. Mas é bom se organizar, pois com 1 hora de antecedência dos horários das apresentações, os ingressos limitados (35 lugares apenas) serão distribuídos na bilheteria do local. Então chega cedo pra garantir vaga!

Às 16:00 horas do sábado (11/09) teremos o prazer de apresentar o espetáculo Tem Boi no Algodão - que traz elementos que remontam à vida do homem do campo, seus conflitos e paixões no Nordeste do Brasil com a característica do universo cômico do babau da Paraíba. Uma história regada a toadas de forró e coco de roda pra levantar o astral do público.


Bem-vindos de volta ao teatro presencial e não esqueçam de usar máscaras que é obrigatório!

Para mais informações, sigam o perfil no Instagram @mamulengo_da_folia_oficial

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Debate virtual promovido pelo SESC PB receberá Amanda Viana e convidados nesta sexta-feira

 


O Sesc Paraíba receberá o jornalista Marcos Moraes e a arte educadora Amanda Viana num encontro virtual que abordará sobre a Arte Educação como um caminho de mediação de saberes, experiências e conhecimentos que se dá entre instituições e o público.

Trata-se do Encontro Ocup(A)ção, atividade que trará como tema principal Juventudes, Periferia e Formação Cultural, mediada pelo técnico em cultura Bruno Pacelly e transmitida, ao vivo, no dia 2 de julho, pelo canal do Sesc no YouTube, a partir das 16h.

Na ocasião, o jornalista Marcos Moraes vai refletir sobre diversidade, com foco em três pontos que considera como chave para entender a sua importância: juventudes, periferia e formação cultural. Com esses três pontos abordará a questão geracional, territorial e de arte educação.

Já a arte educadora Amanda Viana discute sobre importância de expor à comunidade educacional informações e experiências construtivas sobre as possibilidades de se trabalhar e abordar o teatro de bonecos popular do Nordeste em sua diversidade artística, de memória e de conexão com a contemporaneidade.

“Este encontro, suscita em um grande despertar sobre a importância da manutenção das culturas populares brasileiras dentro de um processo contínuo de formação cidadã”, afirma Amanda.

O projeto Ocup(A)ção Arte Educação é um espaço de compartilhamento de experiências e escuta expandida sobre o que o Brasil tem realizado no campo da mediação cultural sobre as práticas educativo-culturais, a partir de eixos conceituais como: diversidade, acessibilidade, geracionalidade e territorialidade; educadores, artistas, pesquisadores e profissionais da cultura apresentarão suas dinâmicas, abordagens e metodologias, centradas na Arte Educação.

Receba este convite, acesse o canal do Sesc Paraíba no YouTube e participe!

Link para acesso ao canal: Canal Sesc PB





sexta-feira, 11 de junho de 2021

O Catálogo do Babau da Paraíba

 


É com grande satisfação e empenho que trazemos ao público o nosso 'Catálogo do Babau da Paraíba', um trabalho intenso e de muita pesquisa sobre a brincadeira do babau e seus fazedores, com a participação dos bonequeiros e bonequeira que participaram em algum momento dos projetos desenvolvidos pela Cia Boca de Cena no estado da Paraíba.
Uma pesquisa ainda inacabada, pois sentimos que a cada ida a campo encontramos mais elementos dessa tradição e que a medida do possível serão inseridas em trabalhos futuros.
O Catálogo é uma iniciativa da Cia em cooperação com os brincantes, escrito pela pesquisadora Amanda Viana e ilustrado pelo designer gráfico Anderson Santana, com prefácio do poeta e amigo Lau Siqueira.
Depois de mais de 10 anos de pesquisa e persistência o tão sonhado apoio para impressão do material aconteceu, através da Editora A União. 
O Catálogo tem como objetivo central dar visibilidade ao trabalho dos artistas bonequeiros e também proporcionar a pesquisadores e estudantes uma base de dados que lhe sirva de apoio pedagógico e incentivo para novas ações sobre o tema.

                                  

No momento está acontecendo a entrega do material aos bonequeiros participantes.

Mestre Clóvis - Guarabira

Mestre Clébio - Guarabira

Geraldo do Babau - Solânea

Hélio - Mari

Mestre Miro - Mari

A nossa meta é que após o período pandêmico, as principais bibliotecas de nosso estado e também das cidades detentoras de bonequeiros recebam seus exemplares para assim terem em seus acervos um pouco da história de seus artistas.
Desde já agradecemos a todas as pessoas que direta ou indiretamente nos apoiaram nesta jornada, familiares, amigos, gestores culturais, artistas e claro aos fazedores de sonhos que compõem essa história.
Aguardem o lançamento e maiores informações.

Cia Boca de Cena 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

E já que não tem carnaval, 'brincaremos' de Babau!

   Primeiro, nossos cumprimentos a você que nos acompanha com votos de que esteja bem mesmo em meio às limitações em que todos nos encontramos nessa pandemia!

  Comunicamos que, mesmo em período de calamidade pública, temos a satisfação de participar de mais um projeto cultural com finalidade de divulgar o Babau. Portanto deixamos aqui nosso convite para que, remotamente, acompanhem o Podcast: É cultura popular, é patrimônio, é Babau!

  O podcast contará com quatro episódios disponíveis a partir desta quarta-feira até o próximo sábado (de 17 a 20/02) liberados para acesso sempre ao meio-dia, nas plataformas de streaming Anchor e Spotify. Acompanhe nossas redes sociais que, diariamente, divulgaremos os links para acesso aos conteúdos.


   O primeiro episódio abordará parte da história do teatro de bonecos popular e elementos diretamente vinculados ao universo do Babau da Paraíba. No segundo episódio haverá entrevista com a atriz e pesquisadora Amanda Viana sobre características socieconômicas que permeiam os fazedores dessa arte, pesquisas e projetos em prol da manutenção deste patrimônio e reflexão sobre o feminino no Babau.

  O terceiro episódio, com participação do bonequeiro Artur Leonardo, trará histórias e curiosidades sobre o Babau e seus mestres, além de técnicas e montagens de espetáculos que vão do tradicional ao contemporâneo. Por fim, o quarto e último episódio trará um misto de bate-papo e informação com participação da arte-educadora Thaisy Santos, numa conversa sobre as possibilidades e desafios de inserir a temática do Babau em sala de aula, além de repassar os conceitos de salvaguarda e educação patrimonial que são de extrema importância para a preservação desta arte que é patrimônio cultural do Brasil.

  Portanto, fica aqui nosso convite para que você acompanhe mais essa atividade artístico-cultural transmitida pela internet e de suma importância para que nossas riquezas e patrimônios culturais não sejam esquecidos em meio às dificuldades em que todos nos encontramos por causa da pandemia Covid-19.

  Este projeto é uma iniciativa de Alysson Maciel selecionada no Edital de Chamada Pública Nº 005/2020 da Prefeitura Municipal de João Pessoa - PMJP, através da Fundação Cultural de João Pessoa - FUNJOPE, e conta com incentivos do Governo Federal pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

WORKSHOP FIGURAS E PASSAGENS DO BONECO POPULAR

O teatro de bonecos popular do nordeste do Brasil é um universo lúdico, crítico e muitas vezes grotesco, mas que traz em sua essência os conflitos inerentes de uma sociedade.

Enquanto brinquedo popular no teatro de animação ele se apresenta com formas, contextos e elementos muito específicos o que o tornou oficialmente reconhecido como um Bem cultural brasileiro, ou seja, um tipo de teatro que só acontece dessa forma e com tais características em nosso País.

Entender como ele acontece, quais os personagens que o compõe, como se organiza cenicamente e quais os papeis de seus fazedores na construção dramatúrgica desse teatro é de grande valia para quem deseja iniciar um trabalho com esta linguagem no teatro de animação.

Com o objetivo de responder ao público questões frequentes sobre este teatro popular, a pesquisadora Amanda Viana irá disponibilizar no dia 40/12/2020, as 19:00h, no canal do You Tube da Cia Boca de Cena, o Workshop FIGURAS E PASSAGENS DO BONECO POPULAR. Apresentando os elementos que compõem a estrutura cênica e dramatúrgica de um teatro de bonecos popular paraibano, tendo como foco o babau e suas características específicas.

Este vídeo é realizado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. 
Lei Federal nº 14.017, de 29 de junho 2020.
Com o apoio da Secretaria de Estado Cultura e do Governo do Estado da Paraíba 
EDITAL Nº 004/2020 - EDITAL CHICA BARROSA 
Paraíba, dia, mês e ano.
#LeiAldirBlanc
#LeiAldirBlancPB
#SomosTodosParaíba

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A visita de Outubro

Há muitos anos atrás eu conheci uma menina chamada Ana, uma criança alegre e muito arteira que vivia com a cabeça cheia de ideias e adorava conversar com os adultos. 

Sua mãe sempre dizia:

- Ana mulher, deixa fulana em paz! 

- Oh menina pra falar meu Deus!

E era verdade; ela falava sobre tudo e, principalmente, sobre como ela gostava do mês de outubro, pois além de ser o mês em que se comemorava o dia das crianças (12), era o mês em que chegava em sua casa a melhor visita.

A casa dela ficava no centro (meio) da rua, entre duas ladeiras, em um bairro pobre na periferia da cidade de João Pessoa/PB. Então, quando Ana estava em frente de casa, conseguia ver de longe quem apontava na "cabeça da ladeira". 

Bem, é bom dizer que nessa época era através do rádio e de algumas visitas que as informações chegavam à comunidade, pois até a televisão era coisa para gente rica. Então, receber visitas, para algumas famílias era motivo de alegria e satisfação. Algumas, inclusive, marcavam o dia de receber a visita do fotógrafo e todos da casa tinham que se arrumar e se postar bem vestidos para tirar os famosos "retratos de família".

Na família de Ana, por exemplo, se fazia fila para as fotos. Primeiro os avós, depois os pais, em seguida as crianças e, por final, todos juntos. Se por acaso eles tivessem adquirido algum Bem material, teria que se tirar uma foto ao lado desse Bem como forma de registrar o progresso familiar.

Todo mês havia de se receber uma visita especial e, para a menina, era em outubro que chegava a sua. Um dia ela a viu chegando lá em cima da ladeira e ficou enlouquecida correndo e avisando à mãe e avó que a visita estava descendo a ladeira e entrando em todas as casas. Se fosse no mês de dezembro vocês poderiam pensar que era um velho vestido de papai Noel, mas não era dezembro e, sim, outubro.

A tal visita vinha carregando uma mala pesada e em cada casa que entrava passava horas mostrando o que de novo tinha trazido. De longe se via apenas os olhos brilhantes das crianças e as gargalhadas dos mais velhos.

Ana, já pavorosa de tanta ansiedade, dizia para a Mãe que se essa visita não se apressasse não teria como ver as coisas, pois a noite já estava perto de chegar e a luz era pouca para tanta beleza. Dona Maria - a mãe - sorria e pedia para que a menina fosse tomar água pra não morrer de agonia.⁸

Foi quando finalmente o homem de roupa clássica e chapéu panamá bateu palmas em frente à cerca de entrada da casa: Pá, Pá, Pá... - Oh de casa!

A menina ao ouvir as palmas saiu correndo com um copo de alumínio cheio de água na mão, quase atropelando todos que aguardavam a tal visita tranquilamente na sala da casa.

- Entre, entre; seja bem vindo! E sua mala? Tá pesada? Trouxe coisas novas para mim?

Coisas coloridas? Coisas Alegres?

O homem tirou o chapéu e disse: - Calma Aninha! Seus livros estão aqui!

Essa era a melhor visita do mês de outubro da menina Ana: o livreiro.

O homem dos livros!

O vendedor de livros! 

Todos os anos, no mês de outubro, o homem do livro trazia consigo uma mala cheia de novidades para todos os gostos... Enciclopédias, o poder das ervas medicinais, orações, simpatias e, os melhores de todos - segundo a Ana, os livros de Contos Infantis.

Neste dia em especial, ela ganhou uma coleção de contos de fadas que vinham acompanhados dos pequenos discos de vinil, os compactos LPs, além de folhas extras com fábulas e pequenos contos.



Ah! E também ganhou uns livros que vinham com belas ilustrações coloridas que, para a época, era uma novidade em termos de ilustrações literárias.


Aninha era fogo na roupa e, digo a vocês, essa menina mudou a minha vida e me ensinou o amor por outubro e pelos contos!

Viva às crianças!

Viva ao livro!

Viva aos contadores de histórias!

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Retomada das atividades do projeto Salvaguarda do Babau da Paraíba

Um intervalo forçado de praticamente seis meses devido ao estado em que o mundo se encontra. Porém, o planejamento para a adaptação das ações do projeto Salvaguarda do Babau da Paraíba à realidade em que nos encontramos já se manifestava desde meados de julho.

Por enquanto, atividades e eventos que envolvam aglomerações ainda estão impedidas de serem realizadas em prol da seguridade dos fazedores e toda população. Devido a isto, as apresentações públicas de espetáculos de babau pendentes nas ações do projeto não poderão ser realizadas.



Mas a boa notícia é que as demais ações propostas já estão em prática com os devidos cumprimentos das normas de segurança. Prova disto ocorreu na tarde do dia 29/09, quando reuniram-se virtualmente pesquisadores, técnicos do IPHAN PB, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada para compartilhar informações a respeito dos patrimônios imateriais, ações de salvaguarda, administração de políticas públicas, editais e realidade artístico cultural em tempos de pandemia, com atenção especial ao que se refere a Lei Aldir Blanc e sua implantação nos munícipios.

A videoconferência contou com a participação de gestores públicos dos municípios de Bananeiras, Mari, Lagoa de Dentro, Sapé, Sobrado, Solânea e Pedras de Fogo, como também representantes do Conselho Estadual de Cultura e FAAC - Fórum de Atividades Artísticas e Culturais de Sapé. No centro dos debates e discursos estavam os técnicos representantes da instituição realizadora do projeto IPHAN PB: Emanuel Braga, Carla Moraes, Nina Lannes e Elaine Paiva, além de Artur Leonardo e Amanda Viana representando a entidade executora do projeto, a Cia Boca de Cena.



Após os discursos principais, a reunião contou com a participação de Tiago salvador, diretor de cultura de Solânea, apresentando exemplos de boas práticas de políticas públicas aplicadas em prol da valorização e apoio à cultura e patrimônios imateriais.

Para finalizar, um debate foi proposto onde relatos de experiências, trocas de sugestões e indicações para melhor administrar e gerir os recursos públicos em prol dos fazedores da cultura popular e patrimônios, suscitou demandas e informações enriquecedoras para todos os envolvidos. Mais de três horas de reunião e satisfação generalizada entre os participantes como resultado do encontro.

E o projeto continua pessoal. Estamos em fase de negociações com as prefeituras contempladas nesta primeira etapa para a adaptação das oficinas de formação, conforme as possibilidades e características de cada cidade, além, é claro, do cumprimento das orientações sanitárias e protocolos estaduais e nacionais no que tange este tipo de prática.

O projeto Salvaguarda do Babau da Paraíba é uma realização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Paraíba - IPHAN/PB, com produção executiva da Cia Boca de Cena e apoio cultural das prefeituras municipais de Pedras de Fogo, Sapé, Mari, Lagoa de Dentro e Solânea.




Anderson Santana - Cia Boca de Cena

Assessoria de Comunicação

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Aquela velha esperança

Eu conheci a esperança ainda na infância. Quando pequena, minha mãe me deixava aos cuidados dos meus avós paternos em uma casa que só tinha adultos; a pessoa mais nova era um Tio que tinha uma diferença de idade comigo de cinco anos. Então, sempre fui muito sozinha e tinha que me virar pra aprender muitas coisas, inclusive criar formas de me divertir sem a intromissão dos adultos.

Um dia, porém, eu estava muito triste porque era véspera de Natal e todos daquela casa de Vó estavam com seus pais e mães, primos e primas, vizinhos, conhecidos... menos eu.

Foi quando fiquei olhando para uma estrela bem longe e ouvi do outro lado da cerca alguém chamando:

- Psiu, psiu!

Era a Esperança; foi impressionante! Ao primeiro momento tive um susto daqueles, pois de onde tinha saído aquela criatura?

Ela era mais velha do que eu e aparecia como de um lugar encantado. A Esperança me ensinava a não comer pimenta; a fugir de vez em quando pra brincar na rua; a conhecer outras crianças que moravam por perto e minha Avó nunca me deixava brincar com elas, além de ver as brincadeiras dos meninos que, diga-se de passagem, eu muitas vezes achava um horror aquele negócio de ‘brincar de briga’.

Os anos se passaram, eu ganhei um irmão que rapidamente foi embora e nem teve tempo de crescer. Depois veio outro e este cresceu junto comigo.

Acabou minha infância, mudamos de casa e perdi totalmente o contato com a Esperança. Nunca soube o que tinha acontecido com ela e às vezes me punha a pensar se aquela pessoa realmente existiu ou era coisa da minha imaginação.

Daí, neste ano tão difícil, comecei a remexer a minha mala de memórias e encontrei um fio de esperança, um fio de lembranças que me fez tomar a decisão de procurar a minha melhor amiga.

Resolvi voltar à rua que morei quando criança e procurar algo que me levasse até ela. Conversei com os ainda moradores do lugar. Alguns me disseram lembrar que realmente tinha existido alguém com aquele nome, mas o que se sabia é que ela tinha ido embora e que passou a ser vista pelas ruas da cidade junto aos moradores de rua.

Eu voltei para casa com milhões de sentimentos e decidida a encontrar Esperança. Durante dias e noites minha vida virou de cabeça para baixo, pois se tornou uma saga encontrá-la.

Passei a olhar cada centímetro da cidade como se estivesse procurando uma agulha no palheiro, uma observação cuidadosa sobre onde e com quem poderia estar a Esperança.

Na minha procura alucinada vi muitas pessoas na rua, embaixo das marquises dos grandes prédios públicos, em caixotes de papelão dormindo ao relento em frente de lojas de alto padrão com voluntários doando sopas e cobertores, crianças com barrigas cheias de verminoses e catarro descendo pelo nariz, além de uma infinidade de animais famintos e doentes que remexiam os lixos das ruas.

Eu não encontrei a Esperança!

Voltei a refletir e me questionar: será mesmo que ela existiu?

Em um dia domingo, saí ao meio da tarde e parei em frente a uma das praças mais bonitas e arborizadas de minha cidade. Sentei em um banco e uma calmaria me envolveu, fechei os olhos e me permiti sentir os cheiros, sons e temperatura daquele momento.

Quando abri os olhos vi que, um pouco à frente de mim, estava uma senhora de cabelos brancos, mexendo nos canteiros da praça. Ela organizava e cheirava as flores, parecia estar conversando com as plantas. Eu fiquei quieta por um tempo só observando todo aquele movimento e achei aquela figura muito familiar.

Resolvi me aproximar e conversar com ela, mas a senhorinha não me deu atenção; continuou seu diálogo com as flores... até que ela parou, olhou para mim e deu alguns passos para o lado trazendo um tripé daqueles que os artistas plásticos usam para colocar suas telas. Em seguida ela fez o mesmo movimento e trouxe consigo uma pequena tela, pôs no tripé e com um pequeno pincel começou a pintar.

Eu fiquei muito curiosa, mas respeitei o que se passava e não ousei me mexer por nenhum minuto. No fundo eu sabia que tinha encontrado quem eu tanto procurava. Porém, agora ela estava diferente e eu não conseguia mais me comunicar com minha amiga. Ela tinha perdido a fala e também não sei se ela me reconheceu já que, agora, eu não sou mais uma criança.

Depois de quase 30 minutos, ela olhou pra mim, sorriu e me mostrou sua pintura que continha a mensagem mais linda de toda minha vida:

Ainda há Esperança!

 Amanda Viana - Cia Boca de Cena

             Carinhosamente, produzimos esse curto vídeo para ilustrar esta história emocionante. Assistam!