Colaboradores

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Foi além das expectativas! Juazeirinho encantou e surpreendeu a Benedito e João Redondo com as histórias e carisma de sua gente



Logo que descemos da van em solo Juazeirinhense fomos recepcionados por representantes da gestão pública municipal que nos desejaram as boas vindas. O clima era de festa pela nossa chegada e para os preparativos de comemoração do centenário da cidade. E nós da Cia Boca de Cena junto com Benedito e João Redondo chegamos para antecipar à população local que a festança ia ser boa.

À tarde, reunimo-nos com o Secretário Municipal de Cultura e Comunicação: Antônio Batista de Lima Neto – popularmente conhecido como Toca, o Vice Prefeito do Município – Jonilton Fernandes e alguns ‘anjos’ da educação e cultura para apresentar o que é o projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade e definirmos os registros que faríamos da cultura popular local no dia posterior.
Reunião na Secretaria de Cultura e Comunicação


Aproveitamos o ensejo e entrevistamos o Secretário de Cultura e a professora Kátia Souza, duas histórias de vida e envolvimento com a cultura e as artes muito bonitas: a dele que começou desde pequeno mobilizando a criançada amiga para encenarem o que assistiam nos filmes de cangaço, passando pela banda da polícia militar e mobilizações sociais até levantar de vez a bandeira em favor da cultura popular ao se tornar um gestor cultural. A dela, mesmo depois de muitas andanças Brasil afora, sentia era falta do ‘seu lugar’, de suas raízes, onde hoje repassa e aviva esse sentimento na vida das crianças a quem educa – ‘Tenho um orgulho doente de falar oxente’.

Saímos em direção à Praça São José, local das apresentações, para os preparativos do espetáculo da primeira noite. E que noite! Com a presença marcante de um público significativo, o brincante Vavau até se emocionou. A brincadeira do babau foi linda e o público vibrou com Benedito, João Redondo e demais personagens. Até seu Josué com seus mais de 70 anos de idade, parou o atendimento na sua barraquinha de tiro ao alvo pra espiar o teatro de bonecos popular do qual se lembrava de ter visto há muitos anos atrás.
Apresentação do babau do brincante Vavau no sábado


O domingo clareou nublado no Seridó e, bem cedinho, nossa equipe já se aprontava pra enfrentar uma maratona cultural. Isso mesmo gente, no dia anterior identificamos tanta manifestação de cultura popular na cidade que foi até difícil selecionar aquelas que iríamos registrar.

E haja memória para tanta gravação nos equipamentos do nosso diretor de audiovisual Lúcio César! Começamos com seu Fernando Clemente, vaqueiro aboiador da cidade, passando pelo Pastoril com um grupo de senhoras simpaticíssimas, o trio de forró Filhos do Chamego, a Filarmônica de São José tocando frevo e arrastando as Virgens do Amém mais badaladas da cidade: Janaína e Pit Bicha, a Cia de Danças Populares de Juazeirinho com seu xaxado, Felipe de Oliveira – o sanfoneiro aprendiz e, por fim, aquela que iria naturalmente revigorar o cansaço da nossa equipe, Dona Luzia.
Nossa equipe com a Cia de Danças Populares de Juazeirinho


Deixamos o Centro Cultural Joana Gago (local de reunião para as gravações do documentário) e seguimos rumo à casa de dona Luzia Inácia da Conceição, agricultora aposentada com 94 anos de idade, muito fôlego de vida pra colocar homem pra correr, mas acima de toda lucidez e vigor físico, uma lenda viva e histórica da cidade.

Descobrimos, ainda no dia anterior, que Juazeirinho, décadas atrás, era conhecida como a cidade da pipoca na Paraíba. E sabem o por quê? Existia um método artesanal de confeccionar a pipoca de milho característico da cidade, em nenhum outro lugar se fabricava ‘a pipoca na areia quente’.

E dona Luzia foi uma dessas pipoqueiras artesanais de Juazeirinho que pra aumentar a renda da família colocava sua panela de barro no fogo a lenha, jogava a areia fina, limpa e branca que vinha de fora, ao esquentar jogava o milho lá dentro e a temperatura fazia com que pipocassem os grãos, depois retirava a pipoca, peneirava e ensacava para vender na cidade vizinha e as margens da rodovia que corta Juazeirinho. E há quem diga que ninguém nunca mastigou um granulo de areia sequer dessa pipoca viu!
Visita à casa de Dona Luzia com seu neto Fábio Yroshi


Saibam também que Juazeirinho é a cidade natal de um componente de nossa equipe, o José Valério – diretor de palco da Cia Boca de Cena. Como não poderia deixar de ser, fomos conhecer a zona rural da cidade a fim de encontrar seus parentes. Fomos muito bem recebidos e com um banquete caseiro à nossa espera, um início de tarde maravilhoso e divertido no Sítio Mendonça.

Tornamos à cidade e no fim da tarde enquanto preparávamos os equipamentos e a empanada da Cia Boca de Cena para o espetáculo Colcha de Retalhos: chuva! Constatamos o ditado que diz: ‘por onde bonequeiro passa faz chover’.
Cia Boca de Cena no Sítio Mendonça com a família de José Valério


Foi chuva dos céus para molhar as terras e refrescar a vida difícil dos sertanejos chegando a encher os barreiros (reservatórios de água) do Sítio Mendonça e chuva de gente que encheu a Praça São José pra ver Teatro de Bonecos. Obtivemos na noite do domingo em Juazeirinho, o maior público já registrado nesta segunda etapa do projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade – de um canto a outro. E como não podia deixar de ser: maravilhoso!

Pelo patrocínio do Governo do Estado da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura, apoio cultural da Prefeitura Municipal de Juazeirinho e Rádio Juazeirinho FM, nosso muito obrigado de todos que compõem a Cia Boca de Cena (realizadora deste projeto) por proporcionar tamanha satisfação em descobrir a cultura popular pulsante de canto a canto no nosso Estado.
Noite do domingo durante apresentação da Cia Boca de Cena

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Equipe Boca de Cena e projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade recebem reconhecimento da Prefeitura Municipal de Juazeirinho

Antes de relatar como foi nossa experiência por Juazeirinho no último final de semana, fazemos questão de compartilhar com todos vocês o documento que expressa o reconhecimento oficial dos representantes da Prefeitura Municipal da cidade, pela passagem do projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade no município.
Nos sentimos honrados e agradecidos, especialmente, ao grande incentivador da cultural local Antônio Batista de Lima Neto - o querido TOCA, Secretário de Cultura e Comunicação de Juazeirinho, pela acolhida maravilhosa a toda nossa equipe, além do trabalho de gestão pública em prol da difusão da cultura popular pela cidade.
Ao público local que foi o maior registrado até agora nesta etapa do projeto e a toda equipe da gestão municipal, nosso muito obrigado!

 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vamos pro Seridó? Benedito e João Redondo estão de malas prontas!

E a temporada das altas temperaturas que já se espalha por todo o Estado vai pegar fogo com a volta do projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade na região do Seridó paraibano. Alô Juazeirinho, estamos chegando!
Praça São José (local do evento). Fonte: site Conexão JM
De uma fazenda chamada Joazeiro foi se formando um povoado cujas terras serviram de abrigo para muitos tropeiros e viajantes até se transformar num município com a chegada de várias famílias da região que decidiram se instalar definitivamente ali. Localizada às margens da BR-230 e por ser uma região favorável à prática da agricultura de subsistência, pecuária e extração de minério  surgiu Juazeirinho.
E é pra lá que levaremos apresentações do teatro de bonecos popular da Paraíba neste fim de semana (26 e 27/10/2013). No sábado, nosso brincante do babau convidado a se apresentar é o Vavau da capital João Pessoa e, no domingo, a Cia Boca de Cena levará o espetáculo Colcha de Retalhos.
Apresentação da brincadeira do Vavau
Com o patrocínio do Governo do Estado da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura e apoio cultural da Prefeitura Municipal de Juazeirinho e Rádio Juazeirinho FM, sempre a partir das 19h na Praça São José (por trás da rodoviária e em frente à Igreja Matriz de São José, padroeiro da cidade), levaremos muita brincadeira de cultura popular para o povo de forma gratuita.
Trecho do espetáculo 'Colcha de Retalhos' da Cia Boca de Cena

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Na zona rural de Cruz do Espírito Santo, Benedito e João Redondo descobriram grandes riquezas

Logo ali, pertinho de casa, o projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade aportou em Cruz do Espírito Santo na tarde do último sábado (19/10) com o parceiro e brincante Hélio da cidade de Mari para apresentar em praça pública o melhor da brincadeira do babau tradicional da Paraíba.
No local do evento, às margens da rodovia e do Rio Paraíba, fomos recepcionados por um belo fim de tarde que atraiu a muitos durante o anoitecer. E foi sucesso viu! O povo lotou a Praça dos Três Poderes para conferir de perto a arte do teatro de bonecos popular do Hélio que leva para dentro de sua tenda um assistente mais que especial: seu filho que desde cedo aprende o legado da brincadeira através do pai.
Babau do Hélio se apresentando para o grande público
O domingo (20/10) amanheceu e a equipe de produção da Cia Boca de Cena teve que se dividir para dar conta das atividades do dia. Primeiro, nossa coordenadora pedagógica Amanda Viana junto com o diretor de palco José Valério se dirigiram ao Centro Rural de Formação para a realização da oficina sobre Patrimônio Imaterial, enquanto o restante da equipe saiu a campo em busca de mapear as manifestações culturais locais.
Amanda Viana ministrando a oficina sobre Patrimônio Imaterial
Mas o que Benedito e João Redondo encontraram por lá?
Primeiro, que as noções de perto e longe no interior são bem relativas, tudo fica logo ali sabe? Mas nossa equipe sentiu bem o peso desse 'é logo ali' ao desbravarem as zonas rurais em busca de personagens significativos do universo da cultura popular no município.
Começamos com um achado histórico marcante: Dona Rita - rezadeira de 73 anos de idade e que há mais de 50 anos pratica o ofício da reza na cidade. Ela além de apresentar sua forma e crença na reza, nos relatou do período em que foi muito procurada pelos moradores do município: durante as duas maiores enchentes que assolaram a cidade nos anos de 1985 e 1986, além de sua história de vida e ligação forte com a avó que lhe repassou os ensinamentos deste ofício.
Zarpamos na direção da Comunidade Jacques onde encontramos Seu Nino que aprendeu a brincadeira do babau vendo outros mestres brincarem, até comprar uns bonecos de madeira na Usina Santa Helena e se tornar um brincante. Porém, deixou o babau de lado há muitos anos e, hoje, depois que aprendeu a batucar o zabumba com um compadre, se dedica aos trabalhos com o coco de roda e ciranda em um grupo formado por 15 pessoas, onde até os jovens e crianças praticam e preservam a arte da cantoria e dança.
Seu Nino no zabumba junto com a equipe no coco de roda
O encerramento do dia de pesquisas não podia nos reservar coisa melhor. Já na tarde do domingo, atravessamos o Rio Paraíba, a velha Ponte do Jacques, a antiga Estação de Trem e muitos passos de uma caminhada que nos levou à Comunidade Cobé onde desfrutava de sua cesta o senhor Antônio Alves de Oliveira, com 71 anos de idade, conhecido por Mestre Mingau.
E que história de vida linda! Além do mais, toda ela pulsava vibrante em sua memória como momentos recentes da época em que ainda brincava o babau. Ele aprendeu a brincadeira com o pai, mas desistiu por falta de apoio à cultura popular da parte dos poderes públicos. Ainda guarda 15 bonecos confeccionados do mulungu e a vontade de repassar toda sua sabedoria do 'fazer cultura popular' para outras pessoas.
Gravações com Antônio Alves - Mestre Mingau
Com o patrocínio do Governo do Estado da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura, apoio cultural do Centro Rural de Formação e Prefeitura Municipal de Cruz do Espírito Santo, a Cia Boca de Cena realiza o projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade na pesquisa e registro de histórias bonitas do teatro de bonecos e cultura popular por mais seis cidades do interior paraibano. Os trabalhos continuam!

Texto - Anderson Santana

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Benedito e João Redondo continuam na 'batalha' por novas descobertas da cultura popular


O projeto Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade - de um canto a outro, se distancia um pouco da rota do alto sertão e continua seus percursos pelo litoral paraibano. Vamos refrescar a quentura que adquirimos no cariri às margens do Rio Paraíba!
Séculos atrás, conta a história que havia transbordamentos e cheias em alguns trechos deste rio e, numa dessas ocasiões, as águas trouxeram para áreas centrais do, então, Engenho Espírito Santo uma cruz de madeira, deixando-a onde hoje está localizado o centro da cidade Cruz do Espírito Santo – batizada com este novo nome pelo povoado que habitava as margens do rio depois deste fato considerado histórico.
Benedito e João Redondo vão cruzar a novíssima Ponte da Batalha, que já foi cenário de embates travados pelos portugueses e brasileiros contra os invasores da região, para desbravar as terras produtivas deste município, seja no ramo das artes, do esporte ou política.
Além de filhos ilustres como Augusto dos Anjos (um dos expoentes da literatura brasileira), nascido no engenho Pau d'Arco, antes pertencente à cidade e atual território do município de Sapé, além de Severino dos Ramos Durval da Silva (jogador de futebol no Santos F. C.), Cruz do Espírito Santo sinaliza que também é terra de brincantes populares.
De braços abertos e com muita expectativa, mapearemos vestígios seja do teatro de bonecos ou qualquer outra manifestação da cultura popular pela região, além, é claro, de realizar nosso trabalho de fomento da prática do teatro de bonecos popular da Paraíba em praça pública.
Local do evento - Praça dos 3 Poderes
Com realização da Cia Boca de Cena, patrocínio do Governo do Estado da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura, além do apoio cultural do Centro Rural de Formação e Prefeitura Municipal de Cruz do Espírito Santo, no sábado (19/10), apresentaremos a brincadeira tradicional com o brincante Hélio do Babau, natural da cidade de Mari, e no domingo (20/10) a Cia Boca de Cena irá apresentar o espetáculo Colcha de Retalhos.
Nosso convidado Hélio da cidade de Mari
Os espetáculos acontecerão na Praça dos Três Poderes, em frente à Prefeitura Municipal, sempre a partir das 19h.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Benedito e João Redondo levaram muito ‘café com barro’ pra levantar o astral do povo cajazeirense

Muitos quilômetros rodados desde a madrugada do sábado (05/10) e, finalmente, chegamos ao alto sertão paraibano quase na fronteira com o Estado do Ceará para além de sentir um calorão, apreciar aquele que é considerado um dos pores do sol mais belo da região.
Pôr do sol no Açude do Leblon
Chegamos na Praça do Leblon, à beira do açude da cidade, aprontamos tudo para apresentar ao público local a tradicional brincadeira do babau com o Vavau (natural de João Pessoa), mas antes do início da primeira noite de espetáculos, uma pausa para o registro de um momento singular e emocionante: a entrega de um boneco confeccionado especialmente para o menino Guilherme por seu padrinho (nosso Diretor de Palco - José Valério) a fim de estimular ainda mais seu encantamento pelo teatro de bonecos popular.
Emoção da entrega do boneco para o menino Guilherme
O pessoal chega, a percussão com pandeiro está preparada e Vavau inicia a brincadeira que cativa o público, até então, tímido de Cajazeiras. Mas não por serem retraídos e, sim, por não estarem familiarizados com a arte do babau. Poucos que estavam presentes na plateia tinham vivenciado algo parecido. Porém, ao final, gostaram do que viram.
No domingo, mais uma vez, tivemos gratas surpresas durante a pesquisa de campo cultural em Cajazeiras. Apesar de não encontrarmos para registro o grande mestre do Reisado - Manuel Francisco dos Santos (Xexéu) por estar hospitalizado, fomos agraciados em conhecer a bela história do também mestre Joaci de Sousa Costa, que aprendeu a brincar no Juazeiro do Norte junto com o irmão e deram continuidade à prática do Reisado em Cajazeiras com seu primeiro mestre - o Zezinho, e até hoje guarda os figurinos e a vontade de continuar a brincadeira na cidade, que há tempos está adormecida pela falta de diálogo e apoio dos poderes públicos.
Aprendendo a dançar Reisado com Mestre Joaci
Nas tomadas externas avistamos a influência cearense na cidade pela figura do Padre Cícero em monumentos e ex-votos espalhados em praça temática. Passamos pela Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, suntuosa e belíssima; também pelo coreto e crucifixo históricos que são marcos da passagem de cangaceiros pela cidade, além da espetacular vista aérea do município lá do alto da pedra da estátua do Cristo Redentor sertanejo.
Em mais um fim de tarde nos dirigimos ao local das apresentações para mais um registro importante: os repentistas Chico Xavier e Francisco Matias deram um show em recital e tocatas nas violas em mais um pôr do sol incrível às margens do Açude do Leblon, cantarolando as delícias e lutas do sertanejo, além do engraçadíssimo 'casamento dos doidos'.
Gravações com a dupla de repentistas
Animados e aquecidos pelas altas temperaturas da cidade, nos preparamos para encenar o espetáculo 'Colcha de Retalhos' com um convidado especial para acompanhar tudo dentro da empanada (o garoto Guilherme - 'Nem'). Dessa vez o público chegou cedo e estava ansioso para assistir a apresentação da Cia Boca de Cena.
Segunda noite de espetáculos com a Cia Boca de Cena
As personagens usaram e abusaram das receitas e histórias locais muito interessantes que descobriram por lá, como por exemplo: 'café com barro pra levantar o moral', 'mulher de fora quando chega fica logo quente', 'eu não deixo recado, traduzo', além do famoso 'have metal do senhor'. Não teve jeito, foi batata e sucesso garantido!
Agradecemos pela vivência dessa experiência ótima ao patrocínio do Governo do Estado da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura, além do apoio cultural da Prefeitura Municipal de Cajazeiras.
Aguardem as próximas descobertas e aventuras de Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade.
Cristo Redentor sertanejo - de Cajazeiras
Fachada da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade
Apresentação do babau do brincante Vavau no sábado

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A previsão do tempo indica que bons ventos culturais vão refrescar os sertanejos da Paraíba com toda a alegria do teatro de bonecos popular

De uma pequena fazenda rodeada de ‘pés de cajá’, em 1863 foi vila, depois cidade e um distrito que cresceu, desenvolveu e apareceu em meio ao Sertão Paraibano transformando-se num dos principais polos econômicos e culturais do Estado.
O lugarejo, desde os primórdios de sua criação, ganhou destaque no ramo da educação através do Padre Inácio de Sousa Rolim, atraindo personalidades da época e alcançando a referência de “Terra que ensinou a Paraíba a ler”.
Nos próximos dias 05 e 06 de outubro, a Cia Boca de Cena realizará mais uma apresentação do projeto ‘Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade’ no município de Cajazeiras. A cidade é a terceira contemplada para receber em praça pública apresentações gratuitas do teatro de bonecos popular da Paraíba – o babau.
Brincante Vavau com seus bonecos João Redondo e Benedito

Localizada em meio a serras, açudes, riachos e áreas de conservação ambiental do bioma da caatinga, o município de Cajazeiras também recebe destaque por sua produção artesanal de tapeçarias, rendas, vidros e louças. Tem também mostras culturais e de teatro que são destaque na cidade, além dos atrativos turísticos de suas igrejas, casarios antigos, estação ferroviária e Cristo Redentor local, ao qual pela simbologia de seus braços abertos esperamos ser bem recebidos e acolhidos por lá.
Cristo Redentor de Cajazeiras - foto: Claudiomar Matias Rolim

Na noite do sábado o espetáculo tradição será feito pelo brincante Vavau da capital João Pessoa, especialmente convidado para apresentar sua brincadeira do babau. No domingo, a Cia Boca de Cena mais uma vez apresentará o espetáculo Colcha de Retalhos – conjunto de três esquetes bem humorados e com um leque de personagens cativantes.
Com patrocínio do Governo do Estado da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura e apoio cultural da Prefeitura Municipal de Cajazeiras, neste final de semana, sempre a partir das 19h, realizaremos espetáculos de teatro de bonecos popular na Praça do Leblon da cidade de Cajazeiras.
A Praça do Leblon (local do evento) - foto: Christiano Moura


Venha você também apreciar o que há de melhor no teatro de bonecos popular tradicional e contemporâneo junto conosco!

Texto - Anderson Santana
Revisão Pedagógica - Amanda Viana

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Só sei que foi assim: Benedito e João Redondo cheios de paparicos e descobertas de um povo milagreiro no ramo da cultura e das artes em Taperoá

Adentramos aos portais de um ‘Reino do Cariri’ repleto de cantos, contos e encantos no finzinho da manhã do último sábado (28/09). Ficamos alojados num hotel que recebe o nome de um famoso romance do cidadão ilustre taperoense Ariano Suassuna – ‘Pedra de Reino’.
Como de praxe, realizamos a reunião de produção e recarregamos as baterias para uma noite que só mais tarde identificaríamos como INÉDITA na cidade!
À tardinha já verificamos cartazes de divulgação espalhados pela cidade, faixa no local do evento e um público curioso abordando os integrantes da equipe durante os preparativos para a grande noite de estreia. Antes disso, fizemos registros de casarios antigos e bem preservados da cidade, identificamos cenários de filmes e minisséries, além de um pôr do sol sertanejo fantástico.
Vista do pôr do sol em frente à Praça de Eventos João Suassuna

Mais uma vez o nosso convidado Mestre Clóvis de Guarabira surpreendeu e agradou a todos que marcaram presença com sua brincadeira do babau tradicional. Era nítido o encantamento e interação de crianças, jovens, velhos e adultos com as personagens apresentadas por cima de empanada. Nesta mesma noite, ficamos maravilhados com a satisfação do público local, principalmente, pelo fato de sabermos do ineditismo da prática do teatro de bonecos popular em Taperoá.
Apesar dos bonecos serem utilizados como apoio pedagógico pelos educadores em instituições locais, não houve confirmação da prática do teatro de bonecos enquanto manifestação cultural e artística. A equipe da Cia Boca de Cena sente-se orgulhosa em poder apresentar este bem imaterial através do projeto ‘Benedito e João Redondo pelas ruas da cidade’ e, ainda mais, em lugares nunca dantes brincados.
Apresentação do babau do mestre Clóvis ao público taperoense

O domingo amanheceu e nossa equipe partiu para a pesquisa de campo e captação de imagens e depoimentos para o documentário do projeto. Em nosso diário de campo identificamos o adormecimento de algumas manifestações culturais como as tradicionais “Cambindas de Taperoá” uma dança típica da cidade, que após a morte de seu Mestre e a dificuldade de manutenção e diálogo com o poder público está cada vez mais difícil de ver, além do descobrimento da prática do boi, papangus, projetos sociais e personagens que são verdadeiros tesouros para as artes e a cultura local.
Começamos com o nosso guia cultural – o jovem e atuante Tiago Evangelista Bernardo que nos contou sobre locais e fatos históricos da cidade, apresentando-nos a “Ponte Velha” que já foi primeira entrada principal da cidade e atualmente é o local das conspirações culturais da juventude, onde eles se reúnem, promovem eventos, articulam desenvolvimentos de novos projetos e fomentam a revitalização e restauração da Ponte, símbolo histórico do povo taperoense.
Logomarca do Movimento 'Ponte de Cultura' e bastidores das gravações com Tiago Bernardo

Junto com a Secretária de Cultura do Município, Renata Pimenta, iniciamos a aventura de encontrar personagens marcantes para nossos registros. Fomos então à procura do Mestre do Boi, a quem não o encontramos, mas sua filha veio nos recepcionar, uma figura animadíssima que nos falou das brincadeiras do boi, do papangu e do mela-mela nos festejos carnavalescos. Ah! E Lúcia de Fátima e Sousa também nos mostrou toda sua fluência no inglês!
Passamos pelas ruínas do monumento e portal ‘A Pedra do Reino’, além da Igreja Matriz da cidade antes de chegar ao próximo set de filmagens – a simpática bodega do Seu Martinho Silvério de Farias, um artista nato que, mesmo com sua idade avançada e suas limitações de visão e respiratórias, tocou sua antiquíssima sanfona de oito baixos e cantou pra nossa equipe que suspirou emocionada. Fabrizzio, nosso produtor, que estuda a sanfona não se conteve ao tocar nas mãos daquele grande Mestre sanfoneiro, primo de outro grande artista o Abdias de Taperoá.
Seu Martinho e sua sanfona de oito baixos recebendo a visita de nossa equipe

Nossa última parada antes da apresentação noturna foi na zona rural do município, onde visitamos um espaço multicultural e surpreendente chamado Sítio Mãe Liquinha. O professor, sociólogo e filósofo Ivandro Vilar nos recebeu com tanta simpatia, pompa e circunstância que quase não voltamos para o hotel.
A experiência de conhecer este espaço que foi todo construído ao modo de seu proprietário e que reúne uma síntese de muitas coisas de suas vivências pelo Brasil e outros países como Roma e Bélgica foi singular. Um sítio que em cada ambiente reúne esculturas, pinturas, artesanato, fotografias, objetos e é cercado pela natureza encantadora do cariri paraibano, lindo de se ver!
Ivandro Vilar, Renata Pimenta e nossa equipe no Sítio Mãe Liquinha

Além disto, o cidadão taperoense que carinhosamente chamamos de ‘Seu Ivan’, trouxe de suas andanças e experiências profissionais pelo mundo a ideia de confluência entre os poderes públicos e parceiros do ramo cultural para desenvolver um projeto social que leva ações pontuais de música, dança, teatro e artes plásticas para todos e de forma gratuita. Declarou para nossa equipe que a prioridade é o público infantil, por enfrentar muitas dificuldades de acesso à educação de qualidade nas localidades em que vivem e acha que a arte é um milagre para curar suas carências e quem sabe transformar as realidades futuras deles.
Despedimos-nos e logo a noite caiu. Com ela a equipe de produção da Cia Boca de Cena se empenhou em carregar os bancos da igrejinha, pois a expectativa era de que o público fosse grande e as cadeiras reservadas para apresentação não fossem suficientes. Depois de tamanho sacrifício, ajoelhamos e rezamos a ‘São Benedito e João Redondo’ – santos de todas as brincadeiras possíveis, para nos agraciar com uma noite de espetáculo grandiosa.
Ora e labora equipe Boca de Cena

E não poderia ser diferente. Faltou assento para o grande público que lotou a Praça de Eventos João Suassuna para conferir o espetáculo ‘Colcha de Retalhos’ da Cia Boca de Cena. Mais uma vez o Coelho Banzé, Menino Tuca, Anita, Cachorro Totó e todas outras personagens deram um banho de alegria ao público que vibrou com a passagem do projeto por lá.
Agradecemos ao importante patrocínio do Governo do Estado da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura, além do apoio cultural da Prefeitura Municipal de Taperoá através dos representantes que nos deram total apoio ao desempenho de nossas atividades na cidade, ao mestre Clóvis, além das pessoas incríveis que engrandeceram ainda mais nossa estadia em Taperoá. Todos da equipe de produção da Cia Boca de Cena (realizadora deste projeto) estão imensamente gratos!

Texto - Anderson Santana
Revisão Pedagógica - Amanda Viana

Grande público na segunda noite de espetáculos com a Cia Boca de Cena

Nosso Diretor Geral Artur Leonardo nos ajustes finais para o espetáculo 'Colcha de Retalhos'