Colaboradores

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Em Sobrado foi uma belezura só, Benedito e João Redondo tiveram a grata surpresa de encontrar mais um brincante babauzeiro! E o circuito continua rumo a Pedras de Fogo.

No último sábado (16/02) iniciamos a circulação da quarta etapa do projeto com pesquisa de campo em Sobrado e foi muito gratificante saber através do diretor de cultura municipal e nosso guia – Edno Luna, que o município detém representações de crocheteiras, cordelistas, compositores, desenhistas e jovens poetas. Mas a cereja do bolo se mostrou depois do bate-papo e cruzamento de informações que a Cia já detinha da existência de bonequeiro pela região ainda não identificado em nossas pesquisas.
Foi aí que o também multi artista (músico, cordelista, compositor, xilo gravurista, professor...) e nosso guru Edno Luna nos confidenciou que na zona rural próxima à cidade existiu tempos atrás um bonequeiro que tinha deixado de brincar babau, mas ainda mantinha seus bonecos guardados. Benedito e João Redondo tavam se tremendo dentro da mala só em pensar em conhecer mais bonecos e brincantes do babau da Paraíba. Depois de rápida articulação seguimos rumo à comunidade Barra de Antas que, territorialmente, já pertence ao município vizinho de Sapé.

Logo ali, depois do cemitério e praticamente às margens do Rio Gurinhém, chegamos à casa de José Targino dos Santos, popularmente conhecido por ‘Zé de Puiga’ ou ‘Puiguinha’ que do alto dos seus 62 anos de vida ainda esbanja vigor e compartilhou conosco memórias de trinta anos atrás quando conheceu o babau e foi aprendiz do memorável Antônio do Babau da cidade de Mari.
E mais, não era só um não minha gente, era uma dupla de dois! Isso mesmo, Seu José brincava e era ajudante do seu primo Cassiano, juntos formaram a dupla de brincantes ‘Cassiano e Zé de Puiga’ que atuou durante anos nas comunidades circunvizinhas, com bonecos confeccionados por eles e doados pelo mestre Antônio do Babau.
Sua esposa no canto do terraço nos confidenciou: “era tanta da gente pra assisti meu fi! e fazia a gente ri dimai”. Sem contar que o babau deles era revolucionário, pois décadas atrás já usava som, microfone e transformador pra transmitir via rádio FM pras cidades vizinhas a brincadeira que acontecia nas comunidades rurais de Riachão, Areia Vermelha e Anta dos Anjos.

Mas Seu José, por que esse nome? – pergunta a coordenadora e pesquisadora Amanda Viana. Ele responde: “Meu pai vendia ‘detefon’ pra matar insetos e pulgas, eu o acompanhava, daí a comunidade passou a me chamar de Puiguinha e depois que cresci virei Zé de Puiga”. E todos na sala caíram na risada! Hehehehehhh
Durante anos, com a mudança de Cassiano para outro estado, Seu José que só brincava com o primo, desmotivou, vendeu o som e guardou os bonecos na mala. Porém, a boa notícia é que recentemente o primo voltou a morar no estado, mais próximo, e tem planos de voltar a viver na comunidade. Convites surgiram e fomos conhecer os bonecos pendurados num varal do sítio de um amigo que estava retocando as pinturas em tinta a óleo na madeira de mulungu.
Conhecemos seus bonecos Benedito, João Redondo, Quitéria, Zé Moreno, Capeta, Seu Banha, Rosane e duas relíquias confeccionadas por Mestre Antônio do Babau. Para nós um bom sinal de que a brincadeira pode retomar a qualquer momento, principalmente depois da articulação com a gestão local e injeção de ânimo deixado com a passagem do projeto por lá.
Equipe Boca de Cena, Edno e Zé de Puiga
Retornamos à cidade pelas trilhas das ciriguelas e mangas, paramos em frente ao prédio público onde o Diretor de Cultura Edno Luna e a Secretária de Cultura Claudine Coelho nos confidenciaram que há uma expectativa enorme da gestão e população para a inauguração e ampliação do projeto da Casa de Cultura, que pretende ocupar um casario histórico do município para acolhimento de jovens talentos, preservação e divulgação da cultura local através de espaços como a Casa da Memória, Clube de Leitura e Escola de Música.

Admiramos a igreja matriz de São João Batista (patrimônio histórico estadual), como também o simpático e preservado casario, com casa antiga de reforma datada de 1896. Também avistamos o ponto alto da colina onde existiu um sobrado que foi referência para viajantes séculos atrás e deu origem ao nome da cidade. O clima é que se manteve instável e por segurança nos fez ocupar o Ginásio Joaquim Braz.
Igreja Matriz - patrimônio histórico estadual
A noite caiu, o convidado especial chegou e estava tudo pronto para ofertar à população o que há de melhor no teatro de bonecos popular da Paraíba. Após a missa o público preencheu os espaços, o Mestre Clébio iniciou a noitada de espetáculos com seus bonecos ventríloquos e depois a Cia Boca de Cena apresentou o ‘Tem Boi no Algodão’. Foi a coroação de um belo início de circulação que contou com apoio e presença de amigos, gestão municipal e articuladores culturais estaduais que durante e após as ações, se reuniu e confabulou bastante sobre as possibilidades de impulsionar os projetos da cidade durante coquetel de encerramento na Casa da Cultura. Somos ativistas!
Mestre Clébio e seus bonecos ventríloquos
Deixamos aqui nosso agradecimento especial ao apoio cultural recebido da Prefeitura Municipal de Sobrado. E como já sabemos isso foi só o começo minha gente. A circulação continua e ainda esta semana ocuparemos as ruas de Pedras de Fogo. Já no próximo sábado (23/02/2019), às 16h30, no Parque Ecológico Padre Sílvio Milanez, haverá a participação especial do Grupo Babaulengo da cidade com o espetáculo 'Viver, Sorrir e Brincar'.
Programem-se para os dois dias de eventos e compareçam!
No domingo (24/02/2019) a nossa equipe fará o trabalho de pesquisa de campo com registros de bonequeiros locais durante o dia e no fim da tarde apresentaremos o espetáculo ‘Colcha de Retalhos’ de forma gratuita, no mesmo local e horário do evento no dia anterior, para todos que comparecerem.
Grupo Babaulengo que irá se apresentar na cidade
Este projeto foi selecionado no Edital 2018 Culturas Populares – Edição Selma do Coco. Trata-se de uma realização da Cia Boca de Cena com patrocínio do extinto Ministério da Cultura, através da Secretaria da Diversidade Cultural e contará com o apoio cultural da Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo no próximo final de semana.
Agradecimentos finais ao público
E o babau não pode parar! Deixamos com vocês uma frase do brincante Zé de Puiga: “Se a gente botá um pedaço de pau na mão e soubé falá, todo mundo ri”. Até breve pessoal!


Casario antigo



Gestões municipal e estadual com Cia Boca de Cena

Amigos Bira e Fabiana vieram da capital nos prestigiar

Admirando paisagem às margens do Rio Gurinhém


Um comentário:

  1. Obrigada!! Sobrado sempre está a disposição e agradece de coração pelo belíssimo projeto que não pode se perder no tempo!!CIA TEATRO BOCA DE CENA grande incentivadores da cultura popular!!
    Abraços
    Claudine Coelho
    Secretaria de Cultura
    Sobrado,PB

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